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Passa o dia sentado e doem-lhe as costas? Não é da idade.
Dói por volta das seis da tarde, passa no fim de semana e volta na segunda-feira. Quando a dor tem horário, costuma ter causa — e a causa raramente é a data de nascimento.
É uma das queixas mais comuns entre os 35 e os 55: a lombar que aperta ao fim da tarde, o pescoço que fica tenso a meio da semana, o levantar da cadeira que exige um momento antes de andar. E é também uma das que mais depressa se atribui à idade.
Vale a pena olhar para o padrão antes de olhar para os anos. Se a dor aparece nos dias de trabalho e alivia nos dias em que se anda mais, o que está a acontecer tem menos que ver com desgaste e mais com aquilo a que o corpo foi sujeito nesse dia.
O problema não é a postura. É a imobilidade.
Há uma ideia instalada de que existe uma postura correta e que basta encontrá-la. Na prática, nenhuma posição aguenta oito horas. Os tecidos que sustentam a coluna respondem mal a estar muito tempo na mesma posição, seja ela qual for — e respondem bem a mudar de posição com frequência.
A melhor postura é a próxima. Não é uma frase bonita: é a forma mais curta de dizer que o corpo precisa de variação, e que a variação é o que uma secretária lhe tira.
Some-se a isso o resto do dia: o carro, o sofá, o telemóvel. Muitas semanas de trabalho passam-se quase inteiras entre posições sentadas, com a anca fechada no mesmo ângulo e a coluna a fazer sempre o mesmo trabalho.
Porque é que dói ao fim do dia e não de manhã
Porque a carga se acumula. De manhã, os tecidos estão descansados e toleram bem; ao longo do dia, a mesma posição vai somando, a musculatura que sustenta cansa-se e a dor aparece quando a tolerância se esgota. Daí o horário — e daí o alívio ao fim de semana, quando o padrão se quebra.
Isso também explica porque é que soluções isoladas costumam desiludir. Uma cadeira melhor ajuda, mas continua a ser uma posição. Um alongamento ao fim do dia alivia, mas chega depois de a carga já estar feita.
O que costuma resolver
- Interromper. Levantar-se e andar um pouco a cada meia hora vale mais do que uma hora de ginásio ao fim do dia — não substitui, mas resolve outra coisa.
- Ganhar força onde falta. Ancas, glúteos e musculatura profunda do tronco: é o que sustenta a coluna quando o dia é longo.
- Devolver mobilidade à anca e à coluna dorsal. É frequentemente aí que está a rigidez, e é a lombar que paga a conta.
- Trabalhar o padrão, não só o sintoma. Quando já há um hábito instalado de anos, a reeducação postural global (RPG) trabalha as cadeias musculares que se foram adaptando, em vez de tratar o ponto onde dói.
Nada disto exige mudar de vida. Exige, isso sim, alguém olhar para o seu caso concreto: onde está a rigidez, onde falta força, o que faz o seu dia. Duas pessoas com a mesma dor lombar chegam frequentemente lá por caminhos diferentes.
Quando não vale a pena esperar
A maior parte das dores lombares de esforço melhora com movimento e tempo. Há, no entanto, sinais que justificam ser visto por um profissional sem adiar:
- dor que desce pela perna abaixo do joelho, com formigueiro ou dormência;
- perda de força numa perna ou num pé;
- dor que acorda durante a noite ou que não alivia em nenhuma posição;
- dor depois de uma queda ou de um traumatismo;
- dor acompanhada de febre, perda de peso inexplicada ou alterações no controlo da bexiga ou do intestino.
Para experimentar esta semana: ponha um alarme de trinta em trinta minutos e, quando tocar, levante-se e ande — nem que seja até à janela e de volta. Ao fim de cinco dias, compare o fim da tarde de sexta com o da semana anterior.
Este artigo tem fins informativos e não substitui avaliação nem aconselhamento clínico individual. Se tem dor, uma condição de saúde diagnosticada ou dúvidas sobre a sua situação, fale com um profissional antes de iniciar qualquer programa de exercício.