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Casa segura · 6 min de leitura

Cinco mudanças em casa que reduzem o risco de queda

A maior parte das quedas não acontece na rua, no gelo, nem a fazer nada de arriscado. Acontece em casa, à luz do dia, em sítios que a pessoa atravessa há trinta anos.

Corredor de casa iluminado, com apoio de parede e chão desimpedido

Há uma coisa que ouvimos muito quando fazemos avaliação ao domicílio: "mas eu conheço a minha casa de olhos fechados." É verdade — e é precisamente parte do problema. Conhecer o espaço leva-nos a atravessá-lo em piloto automático, sem olhar para o chão, muitas vezes sem acender a luz.

As mudanças que se seguem não transformam uma casa num equipamento de saúde. São ajustes pequenos, quase todos baratos, e a maioria pode ser feita numa tarde.

1. Luz onde há decisões a tomar

O sítio mais crítico de qualquer casa é o percurso entre a cama e a casa de banho, de noite. É aí que se junta tudo: escuridão, pressa, sonolência e, muitas vezes, tensão arterial mais baixa por se levantar de repente.

Uma luz de presença no corredor, um interruptor ao alcance da mão sem sair da cama, ou um candeeiro com sensor de movimento resolvem grande parte do problema. Não é preciso iluminar a casa toda — é preciso iluminar as decisões: onde se muda de direção, onde há um degrau, onde se entra e sai.

2. Chão livre em vez de chão arrumado

Os tapetes soltos são o suspeito habitual, e com razão: as pontas levantam, escorregam, e o pé arrastado prende-se neles. Mas raramente estão sozinhos. Fios de candeeiros e carregadores a atravessar zonas de passagem, caixas encostadas ao rodapé, um banco fora do sítio — cada um é pequeno, e juntos formam uma corrida de obstáculos.

  • Retirar os tapetes das zonas de passagem, ou fixá-los com fita de dupla face própria.
  • Passar os fios pela parede, nunca pelo meio do caminho.
  • Manter um corredor livre entre a cama, a porta e a casa de banho.
  • Fechar sempre as portas dos armários baixos e as gavetas.

Um bom teste: percorra o caminho da cama até à casa de banho com a luz apagada, de dia, imaginando que é de noite. O que é que o obrigaria a desviar-se, a apoiar-se ou a hesitar?

3. Apoios onde já se apoia

Repare em que móveis usa para se apoiar. Quase toda a gente tem um: o canto da cómoda ao levantar-se, o lavatório ao sair do duche, as costas de uma cadeira ao calçar os sapatos. Esses são os pontos onde faz sentido colocar um apoio a sério.

Uma barra bem fixada na casa de banho — junto à sanita e dentro do duche ou da banheira — é das intervenções com melhor relação entre custo e efeito. Duas notas importantes: o toalheiro não é uma barra de apoio e cede com o peso; e a fixação tem de ser feita em parede firme, não só no azulejo.

4. Pôr as coisas à altura das mãos

Muitas quedas em casa acontecem em cima de um banco ou de uma cadeira, a chegar a uma prateleira alta. O que está no armário de cima da cozinha costuma ser aquilo que se usa duas vezes por ano — e o que se usa todos os dias, muitas vezes, está no fundo de um armário baixo, que obriga a agachar.

Reorganizar por frequência de uso, e não por arrumação, resolve isto sem gastar nada. O que se usa diariamente fica entre a altura da anca e a do ombro. Se for mesmo preciso chegar ao alto, um escadote pequeno com corrimão é infinitamente mais seguro do que uma cadeira da sala.

5. Calçado dentro de casa

É a mudança mais barata de todas e a que gera mais resistência. Os chinelos abertos no calcanhar, as meias em soalho ou os pés descalços em pavimento molhado são um fator de risco silencioso — o pé não fica seguro e o passo torna-se hesitante.

Um sapato fechado no calcanhar, com sola antiderrapante e leve, muda a forma como se anda dentro de casa. Não tem de ser feio nem desconfortável, e não obriga a andar de sapatos de rua em casa.

O que não é preciso fazer

Vale a pena dizer isto com clareza, porque muita gente adia a conversa com medo dela: adaptar a casa não é transformá-la numa enfermaria, nem encher os corredores de barras metálicas, nem desistir dos objetos de que se gosta.

A grande maioria das recomendações que fazemos numa avaliação ao domicílio é discreta e reversível. O objetivo não é reduzir a vida da pessoa ao mínimo seguro — é permitir que continue a fazer o que faz, com menos risco.

Se tem dúvidas sobre a sua casa, uma avaliação no local identifica os pontos concretos e devolve um plano de alterações por ordem de prioridade — do que é urgente ao que pode esperar.

Este artigo tem fins informativos e não substitui avaliação profissional. Quedas repetidas, tonturas, alterações de visão ou desequilíbrio recente merecem ser avaliados por um profissional de saúde, porque podem ter causas tratáveis.

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